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O Mosteiro e a batalha por uma boa foto

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  Com o Verão a teimar em não aparecer, as idas à praia vão sendo adiadas e há que encontrar programas alternativos. Felizmente não faltam ideias e este fim de semana aproveitei para ir até à Batalha, visitar o Mosteiro que já há algum tempo andava nos meus planos.

 

 Mandado construir por D. João I por volta de 1386, em agradecimento pelo triunfo na batalha de Aljubarrota, o Mosteiro de Santa Maria da Vitória é um dos mais belos monumentos portugueses. Se à chegada a fachada impressiona, com as suas linhas góticas rendilhadas por apontamentos manuelinos, a escala, elegância e simplicidade da igreja são de cortar a respiração. Sobretudo quando a luz, em tom lilás, pinta levemente as colunas da nave central, filtrada pelos vitrais. Igualmente imponente e também com uma luz incrível, é a Capela do Fundador, onde está sepultado o Rei D. João I, a rainha Filipa de Lencastre e os príncipes de Avis.

 

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 Ao entrar nos claustros, uma surpresa. Desconhecia que numa das salas (a Sala do Capítulo), existe um túmulo ao Soldado Desconhecido, guardado por dois militares de sentinela. Quis a sorte que estivesse precisamente na hora da cerimónia do render da guarda, pelo que a entrada nos claustros se fez ao ritmo de uma marcha militar.

 

Nos claustros podem ainda ser vistas duas exposições temporárias, uma de trajes tradicionais e outra de grandes esculturas de maneira, dispostas ao longo dos corredores. Eram engraçadas, sem dúvida, à excepção de um pormenor importante. Uma delas foi colocada precisamente na entrada das Capelas Imperfeitas. Até sou uma pessoa que aprecia arte, como sabem, mas admito que fiquei vagamente aborrecido por me terem estragado a foto que mais queria tirar... Tal como a senhora de ontem, lá fiz as figuras que tinha de fazer. De joelhos por baixo do queixo da enorme estátua de madeira para conseguir fotografar o deslumbrante portal manuelino, uma das mais impressionantes obras do património português. Devido ao ângulo demasiado baixo, a foto não ficou bem como queria, mas com algum contorcionismo e muita paciência, lá consegui uma de que gostei. Ainda ponderei trepar para as cavalitas da pobre figura, mas achei que ser preso por atentado ao património era demasiado por uma boa foto - mas estive quase, admito. Para a próxima tenho de analisar o calendário de exposições com antecedência...

 

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 Como ultima nota, deixo uma sugestão. Durante os Sábados deste mês, mediante marcação, realizam-se visitas guiadas pelos telhados do Mosteiro, com o tema "Gárgulas: Função e Forma. Do Céu ao Solo". Infelizmente só soube disso no próprio dia e já não fui a tempo de aproveitar, mas fica a informação para que não percam a oportunidade. 

 

 

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A misteriosa dedicação de um fotógrafo

Andava eu a fotografar as Capelas Imperfeitas do Mosteiro da Batalha quando reparei em algo que me intrigou. 

Cada uma das sete capelas é enquadrada por um pórtico, com pequenas colunas trabalhadas. Numa grande azáfama, uma senhora andava de coluna em coluna, repetindo o mesmo ritual. Debruçava-se sobre a base de pedra e ali ficava, curvada, como que a esconder a sua fastidiosa missão. Metodicamente seguia para a seguinte e tudo recomeçava. Intrigado, fiquei a observar, percebi que entre as mãos escondia um telemóvel. Aproximei-me e reparei que cada coluna tem na base uma pequena face esculpida, todas diferentes. 

Sorri, entre o divertimento e a admiração. Afinal todos os fotógrafos já fizeram destas figuras, num qualquer projecto pessoal e não pude deixar de apreciar a dedicação.

Bem jogado minha cara colega. Bem jogado...

Quanto à minha visita ao Mosteiro da Batalha, não percam as fotos amanhã.

 

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A luz mágica do Mosteiro dos Jerónimos

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Quando no início deste ano decidi que iria visitar mais monumentos e museus de Lisboa, o Mosteiro dos Jerónimos estava nos primeiros lugares da minha lista. Ainda fui primeiro à Sé de Lisboa e ao Museu Arqueológico do Carmo, mas os Jerónimos tiveram de ser a visita seguinte, ou não fosse este um dos nossos mais emblemáticos monumentos.

 

Cheguei cedo, logo na abertura, e ainda bem. As filas que se foram formando atrás de mim deixaram logo perceber que não ia ser fácil fotografar sem apanhar magotes de turistas nas fotos. Nada que um bocadinho de paciência não resolva, como sempre. Recomendo vivamente que se faça a visita num dia de Sol. A luminosidade que o espaço ganha, quando a luz reflecte na pedra clara das paredes, é qualquer coisa de mágico. 

 

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A Sé de Lisboa e a providência divina

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Tenho uma memória muito ténue e distante de visitar a Sé de Lisboa com os meus pais e um amigos franceses, quando era miúdo. Deste então já por lá passei dezenas de vezes. De perto ou ao longe, é uma guardiã inevitável da paisagem da baixa lisboeta. Em todas essas vezes olhei para ela com um misto de sentimentos. Por um lado curioso em entrar, por outro temeroso dos magotes de turistas que se juntam nas imediações. Até porque, como quem lê este blog sabe, o excesso de turistas é a maior ameaça às minhas fotos...

 

No passado fim de semana, um dos meus passeios por Alfama, levou-me, inadvertidamente, até à Sé. Como tinha acabado de abrir, estava pouca gente e pensei - de hoje não passa! E afinal, depois de tanto tempo, parece que escolhi mesmo o dia ideal... Segundo me disse o funcionário da bilheteira dos claustros, daí a uns dias estes iriam encerrar para obras, previstas para durar um ano e meio. A ideia é que as escavações que põe a descoberto ruínas das eras romana e árabe, passem a ficar acessíveis a partir de um piso inferior, ficando cobertas pelo jardim que vai dar uma nova graça aos claustros. Também o museu vai ter uma muito necessária remodelação e restauro.

 

Estranhamente, não encontro notícias actuais sobre este encerramento, mas a confirmar-se escolhi, depois de tantos anos, o dia perfeito para esta visita. E nesse caso, aproveitem para ver estas fotos, que agora só daqui a algum tempo estas portas se voltarão a abrir. No entanto, a igreja e a impressionante sala do tesouro (que não se pode fotografar) manter-se-ão acessíveis ao público, por isso a Sé continuará sempre a merecer uma visita.

 

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12 sítios a não perder em Florença

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Mais de 500 anos depois, a cúpula do Duomo continua a dominar silhueta de Florença. Mesmo quando não é visível, a sua presença é sentida em toda a cidade. É o símbolo de uma cidade em que é impossível não sentir o peso da História. E poucas cidades do mundo foram palcos de tantas histórias como esta. Florença foi um dos maiores centros financeiros e culturais europeus desde a idade média, e como berço do Renascimento, teve um papel central no modo como hoje entendemos a arte e a ciência.

 
Talvez por isso a cidade pareça conviver surpreendentemente bem com os milhões de pessoas que a visitam anualmente. Os turistas vieram apenas substituir os artistas, mercadores, homens de ciência, que ao longos dos séculos convergiam para Florença, atraídos pelo pulsar de uma cidade que marcou o rumo da civilização.
 
Entre igrejas e palácios deslumbrantes, obras de arte icónicas, ou museus repletos de tesouros, Florença tem muito para ver. E no entanto, é uma cidade perfeita para visitar a pé, essencialmente plana e em que os principais pontes de interesse se encontram quase lado a lado.
 
Com tantos atractivos, já sabem que podem esperar muitas fotografias. Para já, deixo aqui doze. Uma por cada post que tenho em mente.
 
 
 Galleria dell’Accademia

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Admito que pensava que ia ver um enorme museu... Nem tanto. Só  meia dúzia de salas de pintura e escultura. Mas tal como é obrigatório ir a Roma e ver o Papa (eu falhei aí, bem sei), não se pode ir a Florença sem ver David.
 
 
Ponte Vecchio

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Consta que o próprio Hitler ordenou que a ponte fosse poupada, durante os bombardeamentos a Florença, na Segunda Guerra Mundial. Esta é apenas uma das histórias e lendas desta famosa ponte do Século XIV.

 
 
O rio Arno

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A relação da cidade com o Arno, merece também um olhar mais atento. Além da Vecchio, são oito as pontes que ligam as duas margens de Florença.

 
Lojas e espaços curiosos

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Em Florença abundam os recantos curiosos. Algumas lojas são muito antigas, outras apenas muito originais. Tanto assim que este tema irá merecer mais que um post.
 
 
Praças e Igrejas 

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Em Itália existe uma igreja em cada praça (ou pelo menos assim parece). É engraçado ver como grande parte das igrejas da cidade se inspiraram na fachada da Catedral. Foi claramente um estilo que fez sucesso na época.
 
 
Experiência Leonardo da Vinci

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Uma experiência multimédia sobre um dos mais famosos habitantes da cidade.
 
 
Galleria degli Ufizzi

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Um dos mais antigos museus de arte do mundo e um dos vários palácios da poderosa família Medici.
 
 
Palazzo Pitti

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Quem vê este palácio por fora, dificilmente fica com ideia do que vai encontrar no interior. Sim é um edifício descomunal. Mas a austeridade da fachada não deixa adivinhar as riquezas que guarda. Um dos espaços mais impressionantes que já visitei.

 

Jardins Boboli

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Os jardins do palácio Pitti são igualmente descomunais. Tanto que nem conseguimos visitar tudo. Até porque merecem um passeio com calma, para explorar os vários recantos.

 

Piazalle Michaelangelo

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A vista sobre a cidade justifica plenamente a íngreme subida.

 

Santa Maria del Fiore (Duomo di Firenze)

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Sem dúvida um dos monumentos mais bonitos do mundo. A catedral é absolutamente deslumbrante, com os seus acabamentos a mármore branco e verde e a enorme cúpula - emblemática da cidade. Mas este complexo engloba ainda o Batistério (edifício octogonal em frente à Catedral), a torre sineira e um museu. Sem dúvida que vai merecer mais que um post.

 

Palácio Vecchio

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Datado do final do século XIII este palácio funciona ainda hoje como a Câmara Municipal de Florença.

 
 
 
Para terminar, deixo algumas conselhos para quem pensa Florença.
 
 
Bilhetes e Filas:
 

Os bilhetes para a Ufizzi, a ​Galleria dell’Accademia e o Duomo (sobretudo para a subida à cúpula), devem ser comprados online, antes da viagem. Existem filas especiais para quem já tem bilhete, e a diferença no tempo de espera é considerável. Além disso, em dias de maior afluência os bilhetes podem esgotar rapidamente.

 

Para os restantes sítios, mesmo para o Palácio Pitti, os bilhete podem ser adquiridos no local, sem grandes esperas.

 

As filas parecem todas enormes, mas até andam depressa. E nunca tive de esperar muito tempo.

 
Turistas:
 

Julho e Agosto são meses a evitar, se possível. São os meses onde se verificam as maiores enchentes.

 

Achei Florença uma cidade segura. Muitos polícias e militares em todo o lado. Mas como em qualquer local com grandes aglomerações de pessoas, convém ter cuidado com os carteiristas.

 

Visitas:
 

É boa ideia reservar um dia inteiro só para o Palácio Pitti e os jardins Boboli. O palácio é na verdade um complexo de vários museus e os jardins são enormes.

 

Recomendo vivamente ver o pôr do Sol do miradouro da ​Piazzale Michelangelo, ou numa das pontes da cidade.

 

Comida:
 

Para quem gosta de boa carne, têm de experimentar a bisteca. Um descomunal bife grelhado, que se vende ao peso, e tem um sabor e textura divinais...

 

Os gelados artesanais. É difícil falhar na escolha da gelataria, e há uma quase a cada esquina. A gelataria La Carraia, junto à ponte do mesmo nome, foi-me altamente recomendada  e não desiludiu.

 

 

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Chiesa di Sant'Antonio dei Portoghesi em Roma

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Numa rua insuspeita de Roma, a caminho do Castelo de Sant'Angelo, passei por uma igreja. Nada de extraordinário, em Itália quase há uma igreja a cada esquina. Mas assim pelo canto do olho, vi qualquer coisa que me chamou à atenção. Voltei para trás e li...


"Chiesa di Sant'Antonio dei Portoghesi" - dizia uma placa.

 

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Lá no alto da fachada, o brasão de armas português. Um elemento decorativo que se repete várias vezes no interior, ricamente decorado e cuja jóia é um orgão que impressiona pela sua dimensão e beleza. Curioso, investiguei um pouco mais sobre esta minha descoberta, que é afinal a igreja nacional da comunidade portuguesa em Roma.

 

Foi construída no século XVII, num local onde já existia um albergue para os peregrinos portugueses que se deslocavam à cidade. Esse albergue ainda funciona, explorado por privados, mas reserva sempre alguns quartos para estudantes e investigadores lusos. A igreja está inserida no Instituto Português de Roma, gerido pelo Estado Português, e onde se organizam exposições, conferências e se leccionam aulas de português para estrangeiros.

 

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E o orgão de que falei? Foi reconstituido em 2008, para substituir um instrumento idêntico que tinha sido roubado durante as invasões francesas. Com 2500 tubos é um dos melhores orgãos do mundo. Todas as semanas são organizados concertos. Este ano, por ocasião das celebrações das aparicões de Fátima e da canonização de Francisco e Jacinta, realizaram-se vários espectáculos comemorativos. De homenagem a Portugal, a Fátima e até ao Fado.

 

Uma jóia portuguesa em Roma, que encontrei completamente por acaso. E a prova que conhecer uma cidade é bem mais que seguir os roteiros dos guias turisticos.

 

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A "igreja de Santo António dos Portugueses" fica na Via dei Portoghesi, na zona de Campo Marzio, apenas a 5 minutos a pé da Piazza Navona (ver mapa).

 

  

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