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A escada que demorei oito anos a fotografar

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Em 2009, no Centro Cultural de Belém, tirei uma fotografia às escadas que descem até ao piso das exposições temporárias. A curva do corrimão chamou-me à atenção. Contorce-se elegantemente, guiando o olhar ao longo das escadas. Quis apanhar alguém no enquadramento, mas não fui a tempo e a pessoa ficou cortada. A foto não ficou nada bem. Se calhar foi azar. Ou talvez tenha sido porque, nessa altura, era mais difícil para mim transformar numa imagem aquilo que instintivamente atraia o meu olhar. Desde que tirei essa foto, pensei várias vezes que um destes dias havia de voltar a tentar.

 

Calhou que esse dia fosse ontem. Oito anos depois, voltei ao CCB. Ainda não ficou exactamente como queria. Mas está muito mais próximo do que tinha pensado na altura. Talvez tente novamente. Quem sabe se daqui a oito anos...

 

 

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O Terminal de Cruzeiros... e a ingenuidade dos meus 33 anos

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Desde que vi o projecto do novo Terminal de Cruzeiros de Lisboa, que ando em pulgas para o ir fotografar. Fui assistindo, com expectativa, aos avanços do edifício projectado pelo arquitecto Carrilho da Graça, assim como aos sucessivos atrasos da obra. Finalmente, na semana passada, o terminal foi inaugurado. Na televisão e nos jornais, aparecem António Costa e Fernando Medina, sorridentes, junto à placa que assinala a data. E eu, ingénuo que sou, levantei-me cedo neste Domingo, feliz da vida, para ir fotografar o Terminal de Cruzeiros.

 

Só que não!

 

Porque me deparo com o seguinte cenário:

 

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Eu sei, eu sei. Já tenho 33 anos, devia saber melhor... Neste país uma inauguração não quer dizer que uma coisa está pronta. Mas eu acredito no que me dizem. Sou ingénuo... e depois dá nisto! 

 

Pronto, nem tudo é mau. Um passeio matinal junto ao rio tem sempre o seu encanto. E pelo que consegui ver, de longe, esta é mesmo mais uma obra que vem beneficiar a cidade e a frente ribeirinha. Daqui a umas semanas volto a passar por lá. Fiquem a aguardar novidades...

 

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Museu Nacional dos Coches

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O Museu Nacional dos Coches foi inaugurado em 2015. Na altura achei melhor esperar para fazer a minha visita. Num daqueles episódios quase cómicos, que parece que só acontecem em Portugal, o museu abriu sem que museografia. Apenas havia coches - a colecção mais extraordinário do género no mundo, é certo, mas nada mais. Não havia contexto histórico ou qualquer tipo de informação ou grafismo sobre o que estava exposto. Pior ainda, à volta dos coches, a manter a distância para os visitantes, alinhavam-se aquelas baias que se encontram nos aeroportos ou bilheteiras de salas de espectáculo para ordenar as filas. Muito digno para o museu mais visitado do nosso país...

 

Dois anos depois, em Maio deste ano, o museu abriu finalmente, com a museografia que sempre esteve prevista. 

 

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Entretanto também eu me atrasei. Só há duas semanas fui finalmente ao Museu Nacional dos Coches. Devo dizer que o espaço me desperta sentimentos algo contraditórios. Gosto das linhas modernas e do contraste que estas criam com os coches centenários. De como os dourados e vermelhos das peças são realçados por uma arquitectura simples e (em grande parte) discreta, em que predomina o branco. 

 

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Detesto o tecto da área de exposição, que mais faz lembrar um armazém. Tudo tem a ver como o meu gosto, claro está. O arquitecto responsável, foi o brasileiro Paulo Mendes da Rocha, prémio Pritzker em 2006 que realizou o protecto em parceria com o arquitecto português Ricardo Bak Gordon. Ambos com um currículo que fala por si. Mas não posso deixar de imaginar como seria um museu deste género desenhado pelos irmãos Aires Mateus, por exemplo.

 

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No entanto, as estrelas aqui são os coches, e neste espaço saem claramente valorizados. Nem que seja porque com este edifício os podemos ver de forma desafogada, o que não acontecia com o antigo museu, no Picadeiro Real, em que quase ficavam amontoados. Estão além disso, muito mais peças em exposição. Exemplo disso é uma carruagem de gala do Século XIX, com os seis cavalos devidamente ornamentados, que dificilmente poderia ser vista no espaço anterior.

 

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Horários:
 
10:00 – 18:00 (terça-feira a domingo)
 
Bilhetes:
 
Museu Nacional dos Coches: 8€
Picadeiro Real:4€
Bilhete Coches (Picadeiro Real e MNC): 10€
Bilhete Calçada Real (Palácio Nacional da Ajuda e MNC): 12€
 
entrada é gratuita aos domingos e feriados até às 14h, .
 

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O olhar da Catarina sobre as minhas fotos

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Hoje trago-vos um texto da autora de um dos blogs que mais gosto de ler. A Catarina Duarte, do blog (in)sensatez. Desta vez não é um conto, mas uma reflexão sobre Lisboa e o momento que vivemos. Se conhecem o (in)sensatez, sabem a paixão com que a Catarina escreve sobre a sua cidade e as causas em que acredita. É por isso com enorme orgulho que a vejo escrever sobre estes temas a propósito de uma das minhas fotografias.

 

 

Depois te ter dito que não conseguia escolher uma imagem de entre tantas, tão boas, que o João fotografa, depois de muito andar com o feed do instagram para cima e para baixo, lá parei em frente desta. E por ali me deixei ficar. De um momento para o outro, estava escolhida a minha fotografia.

 

Porquê esta?

 

Porque, na minha perspetiva, ela define o modo como eu vejo a fotografia: ângulos e linhas, mesmo quando não há simetria, mesmo quando está cada um para seu lado, mesmo quando os desvios estão de costas voltas, as linhas cruzadas e tortas e estreitas e encolhidas, mesmo quando um carro passa para sujar, como se essa falta de esquadria, essa falta de limpeza, ainda desse mais piada à própria orientação estética da imagem.


Mas também porque é actual. Numa altura em que se discute tanto o cor-de-rosa e o azul, numa altura em que o cor-de-rosa é de meninas mas também, de forma quase obrigatória, de meninos; numa altura em que o azul é de meninos mas também, de forma quase obrigatória, de meninas, estes dois edifícios, existem, lado a lado, escolhidos, desenhados e, principalmente, pintados, talvez por homens, talvez por mulheres, para embelezar esta cidade que se quer justa, que se quer tolerante, que se quer igualitária.


Por todas estas razões mas, talvez, agora que penso nisto, por nenhuma em concreto. Na verdade, Lisboa, como bem sabemos, não precisa de fazer nada, vaidosa e dissimulada, estendida neste rio que lhe reflete constantemente a beleza, limita-se apenas a existir, com o único propósito de a conseguirmos fotografar.

 

Obrigado Catarina 

 

Estou a contar com as vossas participações! Para se inspirarem dêem uma vista de olhos pelo meu instagramEscrevam uma história de ficção, sobre um episódio da vossa vida, ou simplesmente sobre para onde a mente vos faz viajar. Enviem-me a vossa participação para o meu email (joaoandreqff@gmail.com) e irei publicando aqui no blog.

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