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Sobre a criatividade. E comprar material caro.

O workshop de que falei no post de ontem, faz parte da iniciativa "Live for the Story", que a Canon tem vindo a desenvolver.

 

Claro que está inserido numa estratégia comercial, mas este foco na fotografia como um meio de contar histórias, mais do que nas especificações técnicas do material fotográfico, é algo em que tenho pensado nos últimos tempos, e que acredito ser muito importante.

 

Não é por acaso que se diz que uma imagem vale por mil palavras.

 

Quando mostro o meu melhor trabalho fotográfico a alguém, é frequente que um dos primeiros comentários seja "Deves ter uma máquina mesmo boa".

 

Isto é obviamente muito redutor. Correlacionar a capacidade de tirar boas fotos ao dinheiro que se investe em material é enganador. E uma boa maneira de ficar com a conta bancárias mais vazia e um ego mais frustrado.

 

Claro que fotógrafos como o Joel Santos ou o Fernando Guerra, dois dos que mais admiro, têm material caríssimo. Mas se olharem bem para as fotos que ilustram este post, há uma coisa em comum a todas as fotos. Contam uma história. De maneira, clara, simples e poderosa.

 

E uma coisa é certa. Se derem, a qualquer um dos dois um telemóvel, a substituir as suas câmaras, as fotos vão à mesma ter sentimento e emoção. Mesmo que percam qualidade técnica, ou lhes limite a criatividade.

 

No fundo essas fotos iriam à mesma contar uma história. E isso, ao fim ao cabo, é que realmente conta.

 

joel.jpg

guerra.jpg

 

Lembrei-me disto quando há uns dias vi esta foto da Joana (do blog Quiosque da Joana). Não foi tirada com uma máquina topo de gama. Longe disso. E - chamou-me ela à atenção - até está desfocada. Mas eu nem reparei nesse pormenor. E porquê?

 

Porque é uma foto quase perfeita na sua composição e no momento de capta. O ar de expectativa do cão, que até se está a lamber, já davam uma foto gira, só por si. Mas a Joana incluiu a mão com o biscoito. E isso muda completamente a dinâmica da foto. 

 

Deixou de ser só uma foto engraçada. E passou a contar uma história. O cérebro é muito bom a fazer associações, e imediatamente cria-se um vai-vêm do olhar entre o biscoito e o cão. Adivinha-se o que vai acontecer, e estabelece-se quase um diálogo. O cão está com aquela cara porque quer desesperadamente a sua guloseima... E espera... pacientemente, enquanto se lambe em antecipação. E a dona Joana faz o cão Vasco esperar pela recompensa.

 

E para o nosso cérebro criar toda esta narrativa, não foram precisos milhares de euros em equipamento. 

 

Bastou... criatividade!

 

vasco (1).jpg

 

P.S.: O facto do biscoito parecer ter uma cara sorridente, pode parece algo perturbador, dado o final que vai encontrar brevemente, deglutido pelo cão Vasco. No entanto - penso que não me engano se o afirmar - o biscoito cumpriu o seu propósito de forma digna. E é esse o motivo da expressão que ostenta. Dever cumprido! 

 

 

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