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2299

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2299 fotos. Foram as que chegaram a casa, depois de 12 dias de férias. Entretanto fui apagando algumas, aquelas mesmo más. As que ficam tremidas, desfocadas, ou em que um turista mais ninja se atirou para frente da máquina.

 

Viajar para mim é tudo aquilo que escrevi no texto que publiquei ontem. Mas é também fotografar.

 

Uma vez ou outra, no entusiasmo fotográfico que me assola, digo para mim mesmo para desligar a máquina. Não quero ficar com a sensação de que só vi um sítio através da objectiva. Olho demoradamente para o que está à minha volta e tento fazer uma fotografia mental. Só minha. Porque afinal aquele é um momento que não se repete.

 

Depois de tudo, chego a casa, passo as fotos para o computador. Espero uns dias. Aprendi que é bom ter alguma distância da viagem antes de começar a ver as fotos.

 

Adoro este processo também. Ir escolhendo as preferidas, editá-las com calma. Até que fiquem como aquela "fotografia mental" que eu tinha tirado.

 

E depois... faço um livro.

 

 

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Estou em vias de extinção!

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Imagem retirada daqui.

 

Ainda agora regressei de férias e já percebi que este blog tem os dias contados...

 

Já sabemos que o futuro não é brilhante para os taxistas. Qualquer dia os carros autónomos estão aí para os substituir. A Amazon vai abrir brevemente um supermercado com um sistema que regista sozinho o que as pessoas compram. Sem necessidade de filas, tapetes rolantes, caixas registadoras... e (quase nenhuns) empregados.

 

Mas pensei que os artistas estavam salvos. Enganei-me.

 

A Google criou recentemente um programa de inteligência artificial que, depois de analisar o trabalho de grandes fotógrafos, consegue criar uma obra de arte, a partir de uma foto banal. Corta a foto com a composição perfeita, aplica edições de contraste e luz, e os filtros criativos que sejam apropriados... O resultado está à vista.

 

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Fotos da Google. Retiradas do site The Verge

 

Esta semana, na apresentação dos novos iPhones, a Apple anunciou as melhorias às já excelentes câmaras dos seus telemóveis. Agora o próprio telemóvel, completamente através de software consegue aplicar vários efeitos de luz a um retrato, simulando a iluminação do rosto, que por enquanto só se consegue em estúdio.

 

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 Fotos da Apple. Retiradas daqui.

 

Por isso, é provável que daqui a algum tempo este blog fique obsoleto. Já não falta muito para que o pior fotógrafo do mundo ganhe o World Press Photo. Com os olhos vendados e a máquina fotográfica atrás das costas... 

 

É em dias como este que fico feliz por ser Engenheiro Informático e não fotógrafo! 

 

PS.1: Nem tudo foi catastrófico e apocalíptico na conferência da Apple. A primeira foto que escolheram, para mostrar a qualidade da nova câmara, foi tirada em Lisboa.

 

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Foto da Apple

 

P.S.2: Quem é que percebe a referência da imagem do início do post?

 

 

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Aqui há Gato... Ou como a Cátia viu as minhas fotos

Pouco depois de ter publicado o post de hoje, recebi este email da Cátia, do blog Em busca da felicidade:

 

Tomei a liberdade de criar um pequeno texto para a história do gato. Tudo inventado, claro! Ora vê se gostas.

 

Claro que gostei!  Não é todos os dias que uma fotografia minha inspira alguém a escrever um pequeno conto. 

 

Aliás gostei tanto, do texto e do gesto, que obviamente tinha de o partilhar convosco. O mais engraçado é que o texto está muito perto daquilo que aconteceu. 

 

Obrigado Cátia!

 

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Debaixo da velha arvore os dias nascem e terminam com a mesma beleza. Levo a máquina comigo e disparo a cada imagem que me prende a atenção. O silêncio permite-me a concentração necessária para me perder na beleza simples que me rodeia. De fininho aproxima-se um gato tartaruga, daqueles com manchas laranjas. Meigo e curioso aproxima-se da minha optica, eu: disparo. Capto a imagem da curiosidade inocente de um felino que conhece a vida pela calma que ela tem. Roça-se nas minhas pernas e sem aviso troca-me por outras atenções. Vejo-o subir em direção a uma menina; o cabelo num rabo de cavalo daqueles que se fazem nas manhãs sem escola. Veste uma blusa simples e uns calções escolhidos pela mãe que não está preocupada esta manhã. Não gastou tempo com as cores que condizem. Vão só beber café e a menina, essa vai andar às voltas com o gato do senhor do Zé.

 

A menina procura-o com os olhos. Não o encontra.

 

Ele já a viu. Já sentiu a presença daquela que o afaga nos dias de descanso. Nos dias em que ela lá volta ele é mais feliz.

 

Aproxima-se manso da sua pequena amiga, aquela que lhe estende a mão para a festa de cumprimento. Cabeça baixa, mostra que a conhece, que lhe tem saudades.

 

Ele baixa-se para o cumprimentar mais perto. Talvez um cumprimento que apenas menina e gato conhecem.

 

Eu disparo. Guardo o momento com a optica da minha máquina. Penso na história por detrás de cada imagem. Lembro-me que a vida é feita de momentos felizes e de como é bom saber guarda-los para recordar.

Aqui há gato... Ou um post sobre contar uma história

Há uns tempos falei aqui no blog do poder da fotografia para contar histórias. Nem sempre é fácil consegui-lo.

 

No meu post de Segunda-feira, mostrei a foto de uma criança a brincar com um gato. Fiquei contente quando a Cátia por lá comentou, a dizer que tinha gostado da história que aquela imagem lhe sugeria.

 

Ler esse comentário deu-me a ideia para este post. Achei que seria engraçado mostrar a sequência de pequenos momentos que fui captanto, até chegar aquele que escolhi.

 

Mas mais uma vez, vou deixar que sejam as imagens a mostrar como tudo se desenrolou.

 

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Sou um péssimo blogger...

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... que nem sabe quando é o dia Mundial da Fotografia!

 

Para comemorar, mesmo que com dois dias de atraso, aqui fica a minha foto preferida, das que tirei nas microférias da semana passada.

 

O destino... será revelado num próximo post!

 

 

 

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Quando o mal espreita

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Ia a descer por uma estreita quelha de pedras gastas, a caminho da aldeia de Piodão. Ao fundo, existem umas pequenas casas de pedra, onde é guardado algum do gado comunitário da aldeia. Já por lá tinha passado no dia anterior, mas os animais estavam trancados. Mas naquele fatídico dia a história seria outra. As portas estavam abertas. Algumas ovelhas tinham ido à sua vida. Ovelhar por aqueles socalcos fora, mas algumas ficaram. E achei que dava uma foto gira. Tirei primeiro a foto acima. Não gostei muito. Mas algo não estava bem... E não, não estou só a falar das fotos.

 

Sentia-me observado... Aquele desconforto que descrevem nos filmes de terror, antes de alguma coisa saltar para o ecrã. 

 

Hesitei... e virei-me... 

 

Oh! O horror! 

 

Uma cabra (ou uma ovelha tosquiada???) olhava para mim. Imóvel.

 

Sem expressão. Sem pestanejar. Sem se mexer. Sem respirar sequer. 

 

E assim ficou. Minutos, talvez. Pareceram horas.

 

Eu retribuía o olhar gélido. Tentava parecer forte, sem conseguir escapar ao julgo hipnótico da besta.

 

Paralisado de terror, tentei mexer-me. Não podia fraquejar! 

 

A custo, fiz a única pessoa que qualquer pessoa sã, faria na minha posição ... 

 

Click!

 

Tirei uma foto! 

 

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Nenhum animal foi magoado na realização desta foto. 

 

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