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O olhar da Catarina sobre as minhas fotos

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Hoje trago-vos um texto da autora de um dos blogs que mais gosto de ler. A Catarina Duarte, do blog (in)sensatez. Desta vez não é um conto, mas uma reflexão sobre Lisboa e o momento que vivemos. Se conhecem o (in)sensatez, sabem a paixão com que a Catarina escreve sobre a sua cidade e as causas em que acredita. É por isso com enorme orgulho que a vejo escrever sobre estes temas a propósito de uma das minhas fotografias.

 

 

Depois te ter dito que não conseguia escolher uma imagem de entre tantas, tão boas, que o João fotografa, depois de muito andar com o feed do instagram para cima e para baixo, lá parei em frente desta. E por ali me deixei ficar. De um momento para o outro, estava escolhida a minha fotografia.

 

Porquê esta?

 

Porque, na minha perspetiva, ela define o modo como eu vejo a fotografia: ângulos e linhas, mesmo quando não há simetria, mesmo quando está cada um para seu lado, mesmo quando os desvios estão de costas voltas, as linhas cruzadas e tortas e estreitas e encolhidas, mesmo quando um carro passa para sujar, como se essa falta de esquadria, essa falta de limpeza, ainda desse mais piada à própria orientação estética da imagem.


Mas também porque é actual. Numa altura em que se discute tanto o cor-de-rosa e o azul, numa altura em que o cor-de-rosa é de meninas mas também, de forma quase obrigatória, de meninos; numa altura em que o azul é de meninos mas também, de forma quase obrigatória, de meninas, estes dois edifícios, existem, lado a lado, escolhidos, desenhados e, principalmente, pintados, talvez por homens, talvez por mulheres, para embelezar esta cidade que se quer justa, que se quer tolerante, que se quer igualitária.


Por todas estas razões mas, talvez, agora que penso nisto, por nenhuma em concreto. Na verdade, Lisboa, como bem sabemos, não precisa de fazer nada, vaidosa e dissimulada, estendida neste rio que lhe reflete constantemente a beleza, limita-se apenas a existir, com o único propósito de a conseguirmos fotografar.

 

Obrigado Catarina 

 

Estou a contar com as vossas participações! Para se inspirarem dêem uma vista de olhos pelo meu instagramEscrevam uma história de ficção, sobre um episódio da vossa vida, ou simplesmente sobre para onde a mente vos faz viajar. Enviem-me a vossa participação para o meu email (joaoandreqff@gmail.com) e irei publicando aqui no blog.

O olhar da Cátia sobre as minhas fotos

 

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Há algumas semanas, a Cátia do blog Em busca da felicidade, surpreendeu-me ao enviar uma história da sua autoria, imaginada a partir de uma fotografia minha. Uns dias depois, foi a C.S., do Há mar em mim,  que gostou tanto de uma foto que publiquei no instagram, que decidiu escrever uma história que a acompanhasse. Sobretudo senti-me incrivelmente lisonjeado que alguém veja algo que fotografei e se sinta inspirado a criar uma história à sua volta. 

 

Daí começou a nascer uma ideia... Tinha piada fazer disto uma rubrica recorrente! E por isso deixo aqui o convite, a todos os que por aqui passam. Dêem uma vista de olhos pelo meu instagram. Se se sentirem inspirados a escrever uma história de ficção, a partilharem um episódio da vossa vida, ou simplesmente a explicarem porque gostam de uma determinada foto, enviem-me a vossa participação para o meu email (joaoandreqff@gmail.com). Depois irei publicando aqui no blog.

 

Para lançar esta rubrica, relembro aquele que se veio agora a tornar o texto inaugural desta rubrica. O conto que a Cátia escreveu depois de ver a foto que ilustra este post:

 

 

Debaixo da velha arvore os dias nascem e terminam com a mesma beleza. Levo a máquina comigo e disparo a cada imagem que me prende a atenção. O silêncio permite-me a concentração necessária para me perder na beleza simples que me rodeia. De fininho aproxima-se um gato tartaruga, daqueles com manchas laranjas. Meigo e curioso aproxima-se da minha optica, eu: disparo. Capto a imagem da curiosidade inocente de um felino que conhece a vida pela calma que ela tem. Roça-se nas minhas pernas e sem aviso troca-me por outras atenções. Vejo-o subir em direção a uma menina; o cabelo num rabo de cavalo daqueles que se fazem nas manhãs sem escola. Veste uma blusa simples e uns calções escolhidos pela mãe que não está preocupada esta manhã. Não gastou tempo com as cores que condizem. Vão só beber café e a menina, essa vai andar às voltas com o gato do senhor do Zé.
A menina procura-o com os olhos. Não o encontra.
Ele já a viu. Já sentiu a presença daquela que o afaga nos dias de descanso. Nos dias em que ela lá volta ele é mais feliz.
Aproxima-se manso da sua pequena amiga, aquela que lhe estende a mão para a festa de cumprimento. Cabeça baixa, mostra que a conhece, que lhe tem saudades.
Ele baixa-se para o cumprimentar mais perto. Talvez um cumprimento que apenas menina e gato conhecem.
Eu disparo. Guardo o momento com a optica da minha máquina. Penso na história por detrás de cada imagem. Lembro-me que a vida é feita de momentos felizes e de como é bom saber guarda-los para recordar.

 

 

Para a semana há um novo conto. Desta vez da autoria da C.S. Para participar, escolham uma fotografia no meu  instagram e enviem o vosso texto para joaoandreqff@gmail.com.

Fotógrafa Convidada: Sónia Silva

 

Tal como no caso dos meus anteriores convidados, tenho um grande prazer em hoje contar com a participação da Sónia Silva, que é sem dúvida uma das minhas presenças preferidas na blogosesfera.

 

As suas fotos, além da qualidade técnica, mostram um olhar atento ao detalhe, e uma grande capacidade de perceber e captar o momento decisivo, como lhe chamava Cartier-Bresson.

 

 

 

Aqui fica então um pouco da história da Sónia no mundo da fotografia, contada na primeira pessoa:

 

 

Aceitei com surpresa e alguma relutância o convite feito pelo João. Sempre me senti mais à vontade no meio das minhas fotografias sem grandes textos ou explicações. Apenas imagens que dizem o que sinto e em que cada um pode interpretar à sua maneira.

 

É difícil olhar para trás e marcar com exactidão quando começou esta paixão, apenas sei que muito cedo. Na minha casa sempre houve o hábito de fotografar. Foi desta forma que ainda muito pequena o comecei a fazer de forma muito natural... de máquina na mão a disparar em todas as direcções para depois ver com fascínio o fruto do meu trabalho... ainda me recordo... uma Kodac minúscula, tipo espião, que impulsionava as minhas fantasias em pequenos clic’s nas mais diversas e perigosas missões que tinha de levar a cabo!

 



 

O tempo passou e eu fui crescendo à medida que também em mim aumentava a paixão tornando-se mais tarde num vício, uma necessidade. Percebi na adolescência que este gosto já se tinha tornado no próprio ar que respirava e que não me conseguia expressar de outra forma que não através da fotografia... pelo menos da forma verdadeira e sentida que as palavras não mo permitiam. O caminho parecia claro e durante dois anos estudei fotografia. Contudo a incerteza do futuro na mesma e a entrada para a faculdade fizeram-me abandonar o curso para caminhar sobre pontes mais seguras.

 



 

Em 2008 iniciei o blogue ocorpoestremecedesaudade onde vou publicando alguns trabalhos mas que serve, acima de tudo, para me exprimir e descomprimir do mundo que me rodeia.

 


Fotógrafa Convidada: Mariana Capela

 

Hoje tenho o prazer de vos apresentar o trabalho de Mariana Capela, uma jovem fotógrafa cujo blog descobri por acaso, já há algum tempo, mas que desde então tenho tido o prazer de seguir com atenção.

 

Um fotógrafo de qualidade tem obrigatoriamente de ter uma visão coerente e um estilo imediatamente reconhecível, e foram essas características que primeiro me chamaram à atenção no trabalho da Mariana. As fotos que ilustram este artigo foram tiradas em 2008, quando ela tinha apenas 15 anos, e foram escolhidas por apresentarem um lado menos visto na sua obra, que tem geralmente um grande ênfase na fotografia de moda.

 

 

Posto isto, passo a palavra à Mariana:

 

Desde sempre que gosto imenso de fotografias. Quando era pequenina gostava que me tirassem fotografias em todo o lado para um dia mais tarde poder vê-las e recordar-me do passado.Quando tinha aproximadamente 13 anos comecei a ver as fotografias que a minha madrasta tirava... Apaixonei-me. Adorava seguir o trabalho dela, o que foi, sem dúvida um dos factores que me levou a começar a fotografar. Outro factor também importante foi o facto de a minha irmã (filha da minha madrasta e do meu pai) também gostar de fotografar e ter seguido as pegadas da mãe desde cedo.

 

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Sempre que estávamos juntas fotografávamos e eram momentos bastante divertidos. Usávamos uma máquina compacta e passávamos a vida a tirar fotografias. Com o passar do tempo o bichinho foi crescendo. No entanto, existe outro factor que para mim foi o mais importante: o meu pai. Ele sempre gostou muito de ver fotografias (pelo menos do que me recordo). Se ia a algum lado ele pedia-me sempre para tirar fotografias.

 

 

Lembro-me que uma vez fui a um baptizado com a minha irmã de uma prima da parte da mãe e ele mandou-nos a máquina fotografica e pediu que tirássemos muitas fotografias. Ele gostava de poder ver e um dia mais tarde recordar. Com a morte dele eu procurei algo que me fizesse sentir perto dele. Comecei por jogar basquetebol (o seu desporto) pelo qual também me apaixonei até que um dia recebi uma máquina fotográfica compacta. Comecei por tirar fotografias banais, tal como toda a gente e depois sentava-me no computador a vê-las e isso fazia-me recordar o meu pai. Então, um dia, pensei que podia tentar levar a coisa mais a sério, pensei que talvez conseguisse fazer imagens mais bonitas das quais o meu pai se orgulharia se as visse.

 

 

E foi mais ou menos assim: com a inspiração dada pela minha madrasta e a minha irmã e com a vontade de querer fazer algo do qual o meu pai se orgulharia, mergulhei por este mundo e apaixonei-me perdidamente. Hoje faço porque gosto, porque é algo que me faz sorrir. É aquilo que faço quando estou cansada, é aquilo que me move quando acabei de correr 3 km, é aquilo que me alimenta a alma e me faz feliz...pouco me interessa se as fotografias vão ficar perfeitas e totalmente focadas ou direitas. Fotografar não é isso! Uma fotografia pode ser linda e estar torta, com grão e mal focada, apenas tem que ter o elemento essencial: paixão pela arte.

 

  

Mariana Capela

Fotógrafo Convidado: Rui Martins

O meu interesse por fotografia começou quando no 10º ano do Liceu (inícios dos anos 90) tive como disciplina Jornalismo e Comunicação e aí um contacto directo com a câmara escura da escola. Um dos meus colegas de turma, já mais avançado na fotografia, incentivou-me ainda mais emprestando-me uma das máquinas do pai que ele utilizava e íamos para o cais da Póvoa tirar fotografias e depois revelávamos os filmes na câmara escura do Liceu, que tínhamos acesso livre.

 

 

No ano seguinte seguimos caminhos diferentes e por razões económicas não pude continuar com a fotografia, apenas admirar nas livrarias e bibliotecas os livros dos grandes mestres - o meu pouco conhecimento é feito pela leitura e mais recentemente através da internet. O gosto pela fotografia era tal que até ponderei seguir uma licenciatura na área, no final do secundário, mas fui estudar algo completamente diferente.

 

 

Aquando dos meus 18 anos comprei a primeira máquina (analógica, claro!) e fui sempre o fotógrafo de serviço: nas férias com os amigos, nas festas de família e até quando cumpri o serviço militar, mas sempre um fotógrafo que documentava o momento, nunca pensando que poderia fazer outro tipo de fotografia, até porque, para mim (um jovem adolescente), a fotografia não era barata e, muito por causa disso, fui-me afastando da sua prática.

 

 

Até que há cerca de cinco anos comprei uma máquina digital compacta (a que ainda utilizo hoje) e aquele gosto ressuscitou, levando-me a criar o meu primeiro blogue em 2008.

 

Penso que sou eclético e gosto de fotografar e experimentar um pouco de tudo, dentro dos meus conhecimentos e limitações técnicas da minha máquina, mas o tipo de fotografia que mais faço, neste momento, é natureza morta e de estúdio (caseiro e improvisado) por razões logísticas, até porque não é fácil sair à rua para fotografar com uma bebé pequena.

 

Exemplo disso é uma das minhas últimas séries, que aqui apresento: “of paper sheets”.

 

 

À procura de objectos para fazer experiências com a técnica Light Painting, encontrei estas folhas de papel e achei que teriam possibilidades interessantes. Criado o estúdio improvisado numa arrecadação no meu local de trabalho, com duas caixas empilhadas e uma folha de cartolina preta de fundo; uma lanterna; tripé e longas exposições enquanto “pintava” a cena com luz. Com tentativa e erro lá chegava a uma imagem satisfatória.

 

Rui Martins, ruimnm Photography

 

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