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O olhar da Letícia Quental sobre as minhas fotos

Estava a contar já ter pelo menos mais um post da viagem a Itália, mas esta semana tem sido complicada no trabalho e o tempo não dá para tudo.

 

Mas trago boas notícias! Se eu não escrevo sobre as minhas fotos, há quem o faça por mim. A Letícia Quental inspirou-se numa fotografia da estação de Santa Apolónia e escreveu este texto, sobre os seus primeiros tempos a viver em Lisboa.

 

Depois de lerem, passem por aqui e visitem a Letícia.

 

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Algures em Setembro de 2007. Não sei precisar o dia, mas sei que foi em Setembro de 2007 que vim para Lisboa viver sozinha.


É engraçado que, passados 10 anos (bolas, como o tempo passa a correr!), o que recordo melhor daquele meu primeiro fim-de-semana em Lisboa não é a excitação de ir viver para a capital, nem o medo das praxes da Universidade, nem a correria desenfreada da busca por um quarto.


Aquilo de que me lembro melhor, aquele sentimento que ainda hoje tenho na memória, foi a partida dela. A minha mãe tinha-me vindo acompanhar naquele primeiro fim-de-semana na capital, e recordo aquele Domingo à tarde como se tivesse sido ontem… Eu fui deixá-la ao comboio, ela ia voltar para Viseu, a nossa terra-natal, que agora já era só deles, do resto da família. Foi uma espécie de aperto no peito. O medo de ficar sozinha numa nova cidade, o desconhecido que aí vinha com o início de uma nova vida, a sensação de “agora sou só eu” e os lisboetas.


Ainda hoje, passado 10 anos, as estações de comboios são só uma estação de comboio quando são os meus pais a irem lá deixar-me e eu volto para a minha vida em Lisboa. Mas são “aquele aperto no peito” quando sou eu a acompanhá-los e eles voltam a casa, e eu fico pela capital.

 

 

Obrigado pelo texto!

 

Entretanto, continuo a contar com as vossas participações! Para se inspirarem dêem uma vista de olhos pelo meu instagramEscrevam uma história de ficção, sobre um episódio da vossa vida, ou simplesmente sobre para onde a mente vos faz viajar. Enviem-me a vossa participação para o meu email (joaoandreqff@gmail.com) e irei publicando aqui no blog.

O olhar da Travellight sobre as minhas fotos

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Há uns dias coloquei aqui estas três fotos de animais. Um gato, um cavalo e um cão. Só por piada lancei um desafio. Que alguém escrevesse uma fábula baseada nas três fotografias. Foi só uma brincadeira, nunca pensei que alguém enviasse mesmo um conto... E não é que a Travellight me escreveu mesmo uma história!? 

 

Se ainda não conhecem o blog dela (acho altamente improvável), façam a viagem até ao The Travellight World e descubram que parte do mundo a Travellight nos vai mostrar hoje!

 

Mas antes disso, leiam o que ela me escreveu:

 

 

Florença - Era uma vez... ... um gato pachorrento, um cão desconfiado e um cavalo a fazer poses para a foto

 

Zitto, o gato, olhava pachorrento para a bela Florença enquanto o sol se punha e mergulhava a cidade na penumbra. O dia tinha sido longo, como eram todos os seus dias.
Não era fácil a vida de um gato de rua, mas ele não se queixava.

A comida nem sempre era certa mas os turistas que enchiam Florença ajudavam muito. Era só aproximar-se de uma das esplanadas à hora das refeições, fazer aquele olhar doce - que ele tinha bem treinado - dar uma pequena turrinha na perna de uma turista desavisada e pronto! Começavam os ahhhh e os ohhhh, e a a comida a cair à sua volta 😺.

Zitto gostava de viver na cidade. Tinha aqui os seus amigos, o mais improvável dos quais era o cavalo Victorio.
Tinham-se conhecido era Zitto ainda um gatinho.

Na verdade Victorio salvara a sua vida…

Ele e os seus irmãos tinham sido retirados à sua mãe, por uma alma cruel, e deixados fechados dentro de um saco para morrer.
Victorio, o cavalo que, todos os dias orgulhosamente percorria a cidade com uma bonita carruagem, ouviu numa das paragens que fazia para descansar, o fraco miado dos pequenos.

Curioso aproximou-se e tentou perceber de onde vinha o som. Logo descobriu o saco escondido a um canto escuro de um beco sujo.

Agarrou nele e entregou-o a Benito, o condutor da carruagem, relinchando e batendo com as patas no chão para explicar a urgência da situação.

Benito era um bom homem e um grande amigo dos animais a quem tratava com respeito. Rapidamente abriu o saco e deparou-se com o horror de 4 gatinhos mortos. Da ninhada só um tinha sobrevivido - Zitto.

A filha de Benito cuidou bem do gatinho e ele recuperou. Passado um tempo já corria e brincava com tudo o que mexia, principalmente com Victorio, que o apadrinhou e o deixava trepar pelas suas pernas para ele poder dormir em cima do seu dorso.

Tinha Zitto um ano quando Benito morreu e a sua filha teve de vender Victorio e imigrar. O gato foi parar à rua mas a amizade com o cavalo manteve-se forte e todos os dias encontravam-se para trocar histórias.

Enquanto Victorio comia e posava para as fotos dos turistas, como aquele Português simpático, chamado João, que tentava apanhar o seu melhor ângulo, Ziito contava-lhe como tinha arreliado Rocco, um cão desconfiado e psicótico que pertencia a uma Inglesa recém chegada a Florença.

O pobre cão ainda não se tinha adaptado à vida em Itália e achava os locais demasiado intrusivos, sempre a tentar fazer-lhe festas e a falar muito alto. Era um inferno, não havia respeito! E depois, como se tudo isso não bastasse, ainda tinha Zitto a atazanar-lhe a vida.

Todos os dias, depois da sesta da manhã, o gato ficava à espera da hora em que a Inglesa ia tomar o pequeno almoço no café em frente a sua casa para irritar Rocco que tinha de ficar à porta do estabelecimento. Era a sua diversão preferida! Era hilário ver como o cachorro perdia a cabeça e chamava pela dona 😸.

Victorio repreendia-o mas no fundo sabia que ele não fazia por mal, apenas queria brincar um pouco com aquele cão mimado. Algo no fundo do seu coração dizia-lhe que com o tempo, Rocco e Zitto se tornariam bons amigos.

… E era assim que passavam os seus dias em Florença, um gato pachorrento, um cão desconfiado e um cavalo que gostava de posar para fotos.

 

Obrigado Travellight !

 

 

Estou a contar com as vossas participações! Para se inspirarem dêem uma vista de olhos pelo meu instagramEscrevam uma história de ficção, sobre um episódio da vossa vida, ou simplesmente sobre para onde a mente vos faz viajar. Enviem-me a vossa participação para o meu email (joaoandreqff@gmail.com) e irei publicando aqui no blog.

 

O olhar da Rita sobre as minhas fotos

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Descobri o blog da Rita da Nova há pouco tempo, mas passou rapidamente a fazer parte das minhas leituras diárias. Por lá, a Rita fala dos seus livros, dos seus restaurantes preferidos, das pessoas da sua vida. E sei de fonte segura (porque tenho um amigo que já participou) que dá uns workshops de escrita criativa muito divertidos.

 

Na história que escreveu, a Rita fala de uma infância vivida num Cais do Sodré que quase já não existe. Depois de ler, é fácil perceber porque escolheu esta minha fotografia como ponto de partida. O momento que captei parece conseguir captar um bocadinho dos dois mundos que ainda ali coexistem.

 

Aqui fica a história da Rita da Nova:

 

 

Meio quilo de lote Palace em grão. Meio quilo de lote Palace em grão. Meio quilo de lote Palace em grão.


Eu subia a Rua do Alecrim enquanto repetia mentalmente estas palavras, para não me esquecer do pedido da minha Avó. Cheirava-me a café ainda antes de chegar à Carioca, na Rua da Misericórdia.


Queres que te escreva num papel? Perguntava-me antes de sair, já sabendo a minha resposta. Não. Óbvio que não. Eu já era crescida e sabia o que fazia - desde que não estivesse muita gente para ser atendida, caso contrário o risco de não me lembrar do café que era preciso comprar era maior. A minha Avó nunca pedia para o moerem na loja, preferia fazê-lo em casa, mesmo antes de o colocar na máquina de filtro. Eu também gostava que ela fizesse dessa maneira, porque podia roubar um ou dois grãos para trincar.


Cresci assim, a subir e a descer a Rua do Alecrim. Entre o amplo Largo do Camões e as ruas mais estreitas do Cais do Sodré. Fazia recados à minha Avó, ia buscar-nos o lanche e, em dias de chuva, passava recibos lá no consultório em que ela trabalhava. Acho que foi nessa altura que me apaixonei por Lisboa - eu tinha liberdade e tempo para a descobrir e a cidade, na altura, tinha mais espaço para mim.


Naquela zona, só o Cais do Sodré me assustava. Não era como é hoje, cheio de ruas animadas, restaurantes com filas à porta e ruas pintadas de cor-de- rosa. Era sujo, cheirava mal e tinha pessoas com muito mau aspecto. Aos poucos, a minha Avó começou a levar-me até lá para conhecer as lojas e as pessoas da Rua de São Paulo. A maioria já nem sequer existe, mas gosto sempre de as recordar quando lá passo.


Ela ensinou-me esta parte de Lisboa da mesma forma que se ensinam outras coisas às crianças. Aprendi os nomes das ruas, porque é que devia ir a uma loja e não a outra (apesar de ambas venderem a mesma coisa), quais as áreas que devia evitar. Agora que penso nisso, conheço esta parte da cidade como a palma das minhas mãos e essa é a maior herança que a minha Avó alguma vez me vai deixar.

 

 

Obrigado Rita!

 

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O olhar da Catarina sobre as minhas fotos

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Hoje trago-vos um texto da autora de um dos blogs que mais gosto de ler. A Catarina Duarte, do blog (in)sensatez. Desta vez não é um conto, mas uma reflexão sobre Lisboa e o momento que vivemos. Se conhecem o (in)sensatez, sabem a paixão com que a Catarina escreve sobre a sua cidade e as causas em que acredita. É por isso com enorme orgulho que a vejo escrever sobre estes temas a propósito de uma das minhas fotografias.

 

 

Depois te ter dito que não conseguia escolher uma imagem de entre tantas, tão boas, que o João fotografa, depois de muito andar com o feed do instagram para cima e para baixo, lá parei em frente desta. E por ali me deixei ficar. De um momento para o outro, estava escolhida a minha fotografia.

 

Porquê esta?

 

Porque, na minha perspetiva, ela define o modo como eu vejo a fotografia: ângulos e linhas, mesmo quando não há simetria, mesmo quando está cada um para seu lado, mesmo quando os desvios estão de costas voltas, as linhas cruzadas e tortas e estreitas e encolhidas, mesmo quando um carro passa para sujar, como se essa falta de esquadria, essa falta de limpeza, ainda desse mais piada à própria orientação estética da imagem.


Mas também porque é actual. Numa altura em que se discute tanto o cor-de-rosa e o azul, numa altura em que o cor-de-rosa é de meninas mas também, de forma quase obrigatória, de meninos; numa altura em que o azul é de meninos mas também, de forma quase obrigatória, de meninas, estes dois edifícios, existem, lado a lado, escolhidos, desenhados e, principalmente, pintados, talvez por homens, talvez por mulheres, para embelezar esta cidade que se quer justa, que se quer tolerante, que se quer igualitária.


Por todas estas razões mas, talvez, agora que penso nisto, por nenhuma em concreto. Na verdade, Lisboa, como bem sabemos, não precisa de fazer nada, vaidosa e dissimulada, estendida neste rio que lhe reflete constantemente a beleza, limita-se apenas a existir, com o único propósito de a conseguirmos fotografar.

 

Obrigado Catarina 

 

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O olhar da Cátia sobre as minhas fotos

 

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Há algumas semanas, a Cátia do blog Em busca da felicidade, surpreendeu-me ao enviar uma história da sua autoria, imaginada a partir de uma fotografia minha. Uns dias depois, foi a C.S., do Há mar em mim,  que gostou tanto de uma foto que publiquei no instagram, que decidiu escrever uma história que a acompanhasse. Sobretudo senti-me incrivelmente lisonjeado que alguém veja algo que fotografei e se sinta inspirado a criar uma história à sua volta. 

 

Daí começou a nascer uma ideia... Tinha piada fazer disto uma rubrica recorrente! E por isso deixo aqui o convite, a todos os que por aqui passam. Dêem uma vista de olhos pelo meu instagram. Se se sentirem inspirados a escrever uma história de ficção, a partilharem um episódio da vossa vida, ou simplesmente a explicarem porque gostam de uma determinada foto, enviem-me a vossa participação para o meu email (joaoandreqff@gmail.com). Depois irei publicando aqui no blog.

 

Para lançar esta rubrica, relembro aquele que se veio agora a tornar o texto inaugural desta rubrica. O conto que a Cátia escreveu depois de ver a foto que ilustra este post:

 

 

Debaixo da velha arvore os dias nascem e terminam com a mesma beleza. Levo a máquina comigo e disparo a cada imagem que me prende a atenção. O silêncio permite-me a concentração necessária para me perder na beleza simples que me rodeia. De fininho aproxima-se um gato tartaruga, daqueles com manchas laranjas. Meigo e curioso aproxima-se da minha optica, eu: disparo. Capto a imagem da curiosidade inocente de um felino que conhece a vida pela calma que ela tem. Roça-se nas minhas pernas e sem aviso troca-me por outras atenções. Vejo-o subir em direção a uma menina; o cabelo num rabo de cavalo daqueles que se fazem nas manhãs sem escola. Veste uma blusa simples e uns calções escolhidos pela mãe que não está preocupada esta manhã. Não gastou tempo com as cores que condizem. Vão só beber café e a menina, essa vai andar às voltas com o gato do senhor do Zé.
A menina procura-o com os olhos. Não o encontra.
Ele já a viu. Já sentiu a presença daquela que o afaga nos dias de descanso. Nos dias em que ela lá volta ele é mais feliz.
Aproxima-se manso da sua pequena amiga, aquela que lhe estende a mão para a festa de cumprimento. Cabeça baixa, mostra que a conhece, que lhe tem saudades.
Ele baixa-se para o cumprimentar mais perto. Talvez um cumprimento que apenas menina e gato conhecem.
Eu disparo. Guardo o momento com a optica da minha máquina. Penso na história por detrás de cada imagem. Lembro-me que a vida é feita de momentos felizes e de como é bom saber guarda-los para recordar.

 

 

Para a semana há um novo conto. Desta vez da autoria da C.S. Para participar, escolham uma fotografia no meu  instagram e enviem o vosso texto para joaoandreqff@gmail.com.

Fotógrafa Convidada: Sónia Silva

 

Tal como no caso dos meus anteriores convidados, tenho um grande prazer em hoje contar com a participação da Sónia Silva, que é sem dúvida uma das minhas presenças preferidas na blogosesfera.

 

As suas fotos, além da qualidade técnica, mostram um olhar atento ao detalhe, e uma grande capacidade de perceber e captar o momento decisivo, como lhe chamava Cartier-Bresson.

 

 

 

Aqui fica então um pouco da história da Sónia no mundo da fotografia, contada na primeira pessoa:

 

 

Aceitei com surpresa e alguma relutância o convite feito pelo João. Sempre me senti mais à vontade no meio das minhas fotografias sem grandes textos ou explicações. Apenas imagens que dizem o que sinto e em que cada um pode interpretar à sua maneira.

 

É difícil olhar para trás e marcar com exactidão quando começou esta paixão, apenas sei que muito cedo. Na minha casa sempre houve o hábito de fotografar. Foi desta forma que ainda muito pequena o comecei a fazer de forma muito natural... de máquina na mão a disparar em todas as direcções para depois ver com fascínio o fruto do meu trabalho... ainda me recordo... uma Kodac minúscula, tipo espião, que impulsionava as minhas fantasias em pequenos clic’s nas mais diversas e perigosas missões que tinha de levar a cabo!

 



 

O tempo passou e eu fui crescendo à medida que também em mim aumentava a paixão tornando-se mais tarde num vício, uma necessidade. Percebi na adolescência que este gosto já se tinha tornado no próprio ar que respirava e que não me conseguia expressar de outra forma que não através da fotografia... pelo menos da forma verdadeira e sentida que as palavras não mo permitiam. O caminho parecia claro e durante dois anos estudei fotografia. Contudo a incerteza do futuro na mesma e a entrada para a faculdade fizeram-me abandonar o curso para caminhar sobre pontes mais seguras.

 



 

Em 2008 iniciei o blogue ocorpoestremecedesaudade onde vou publicando alguns trabalhos mas que serve, acima de tudo, para me exprimir e descomprimir do mundo que me rodeia.

 


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