Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

João Freitas Farinha - Fotografia

João Freitas Farinha - Fotografia

O Ninja das Oficinas Gerais

IMG_6090.jpg

 

Desde a minha primeira exploração de Alfama que esta rua me chamou à atenção. O casario simples, típico dos bairros lisboetas, é vigiado de cima pelas elegantes torres da Igreja de São Vicente de Fora. Ao longo da rua, os carris da emblemática carreira 28 cortam a calçada. Era difícil encontrar um postal turístico mais perfeito.

 

Não surpreendentemente, é uma das ruas mais fotografadas da capital. Nos últimos tempos, tenho-a visto cada vez mais vezes por essa internet fora. E por isso, decidi que mais valia despachar-me, sob pena de ser o último a tirar fotos à Rua das Oficinas Gerais.

 

Levantei-me cedo, como sempre. Quando estava perto da rua, passou um eléctrico. Azar - pensei, enquanto me preparava para esperar pelo próximo. 

 

Estava pouco movimento aquela hora. Perfeito, porque o que queria mesmo, era apanhar a entrada do 28 na rua, sem pessoas no enquadramento. Já perceberam como acaba esta história não já? 

 

Pois...

 

Meia hora passou, e ouço o chiar do eléctrico nos carris, a máquina preparada. 

 

Nem vivalma na rua... 

 

O 28 aproxima-se. Começo a apertar o disparador... 

 

Pelo canto do olho vejo um vulto... Oh não!!! 

 

Era uma senhora de alguma idade. Vê-me naqueles preparos, quase ajoelhado no meio da estrada. Tem pena de mim e pára, para me deixar tirar a foto... 

 

Ufff... 

 

Aí vem ele. Ninguém na rua! 

 

E puffffffff.

 

Materializa-se um turista. Do nada.     

 

Seria ninja? Daqueles com bombinhas de fumo? 

 

Fez rapel do telhado? Viajou no tempo? Estava escondido atrás de uma pedra solta da calçada? 

 

Tudo boas questões. Todas sem resposta. 

 

O turista ninja estragou-me a foto... Não faz mal, a luz também não estava grande coisa - pensei eu, para me animar. 

 

Parece que vou mesmo ser o último a fotografar o 28 na Rua das Oficinas Gerais. 

 

O Padrão dos Descobrimentos

IMG_6250 (1).jpg

 

 Após um período, de cerca de uma semana, em que esteve encerrado ao público, o Padrão dos Descobrimentos voltou a abrir este fim de semana.

 
Foi o fim de um ano e pouco de trabalhos de limpeza e restauro do emblemático monumento, que agora se encontra de cara lavada, e pronto a receber os magotes infinitos de turistas que por estes dias invadem a capital.
 
Claro que às 7 da manhã ainda imperava o sossego, e só um ou outro corredor mais madrugador cruzava a frente ribeirinha.
 
Ainda tentei fotografar a Torre de Belém, mas um espalho épico, nos degraus que descem até ao rio, dissuadiu-me imediatamente.
 
Mas não se preocupem. Estou praticamente inteiro.  Ainda bem que tenho estas pancadas de me levantar cedo... Umas horas mais tarde e as imediações estariam infestadas de câmaras. Era peripécia para acabar no Youtube... 

 

IMG_6243.jpg

IMG_6230 (1).jpg

 

 

Podem seguir as minhas fotos no Instagram, no Facebook ou subscrever os post por email, no fundo da página.

 

Manifesto Pró-Almada Negreiros

IMG_6284.jpg

 

BASTA PUM BASTA!

 

ALGUÉM AINDA NÃO FOI À GULBENKIAN? BASTA DE DESCULPAS!

 

UMA GERAÇÃO QUE DEIXE PASSAR ESTA EXPOSIÇÃO É UMA GERAÇÃO QUE NÃO SABE O QUE PERDE! NÃO VER A OBRA DE ALMADA NEGREIROS É INDIGNO, ABAIXO DE ZERO!

 

ABAIXO ESSA GERAÇÃO!

 

VIVA O ALMADA, VIVA!  PIM!

 

UMA GERAÇÃO COM UM ALMADA, PASSA DE BURRO PARA CAVALO!

 

ALMADA PINTA, DESENHA. ALMADA ESCREVE, REPRESENTA. ALMADA FAZ TUDO. E FAZ BEM!

 

ALMADA É HABILIDOSO!!

 

ALMADA É ARTE!

 

ALMADA É GÉNIO!

 

VIVA O ALMADA, VIVA! PIM!

 

SIM, ALMADA VESTIA ROUPAS ESTRANHAS, ATACAVA AS MENTES TACANHAS, EM MANIFESTOS NO ORPHEU.

 

MAS DO DANTAS SÓ SE SABE QUE CHEIRAVA MAL DA BOCA, E FOI ALMADA QUE PERMANECEU!

 

VIVA O ALMADA, VIVA!  PIM!

 

 

Já conhecia e admirava Almada Negreiros. Pelo menos o Almada que todos conhecem, mesmo que não lhe saibam o nome; o Almada que tem o painel na entrada principal da Gulbenkian, cujos desenhos decoram a estação de metro da Saldanha; e claro, o Almada do Manifesto Anti-Dantas, que serviu de inspiração para o início deste post.

 

Menos inspirado foi o início da minha visita à exposição “Almada Negreiros – Uma Maneira de Ser Moderno”, que ocupa das duas salas de exposições temporárias da Gulbenkian, até 5 de Junho. Tirei uma fotografia, a primeira deste post, e fiquei sem bateria na máquina fotográfica. Claro que, além disso, me tinha também esquecido da bateria suplente! João Farinha – Mais Uma Maneira de Ser Distraído.

 

Mas quem não tem máquina fotográfica, fotografa com telemóvel. Nada que não se resolva.

 


Isto de ser moderno é como ser elegante: não é uma maneira de vestir mas sim uma maneira de ser. Ser moderno não é fazer a caligrafia moderna, é ser o legítimo descobridor da novidade.


José de Almada Negreiros, conferência O Desenho, Madrid 1927

 

 

Mas se a visita se iniciou com um pequeno contratempo, percorrer a exposição foi descobrir um artista que escapa a qualquer categorização. Um homem que nunca teve qualquer formação em arte, mas que dominou com mestria vários estilos e materiais.

 

A exposição, comissariada pela historiadora de arte Mariana Pinto dos Santos – que merece todos os elogios – é notável na coerência e naturalidade com que nos apresenta uma obra tão vasta e diversa.

 

Estão lá os quadros e desenhos mais famosos de Almada Negreiros, mas estes representam uma pequena parte dos mais de 400 trabalhos expostos. Muitos dos quais, podem agora ser vistos pelo grande público pela primeira vez.

 

Ao longo das duas salas, encontram-se quadros a óleo, vitrais, esboços e estudos para murais e painéis decorativos, ou ilustrações para cartazes publicitários e desenhos humorísticos. E não há uma única destas peças que não mereça um olhar atento e prolongado.

 

Impressionaram-me particularmente um desenho a carvão, cuja tridimensionalidade é absolutamente hipnótica, ou um conjunto de três quadros que homenageia a famosa pintura da guitarra de Amadeu de Souza-Cardoso, seu contemporâneo. Duas das muitas obras que desconhecia por completo.

 

Depois da visita, só me apetece dizer, Almada não era moderno. Nem à frente do seu tempo. Almada é intemporal.

 

Arranje-se tempo sim, para visitar esta exposição absolutamente imperdível. Não o fazer é “indigno, abaixo de zero!”

 

 PIM!

 

IMG_6295.jpg

IMG_3324.jpg

IMG_3325.jpg

IMG_3331 (1).jpg

IMG_3336 (1).jpg

IMG_3343.jpg

IMG_3347.jpg

IMG_3350.jpg

IMG_3358.jpg

IMG_3365.jpg

IMG_3367.jpg

IMG_3389.jpg

IMG_3392.jpg

IMG_3395.jpg

 

Informações:

 

Fundação Calouste Gulbenkian

 

A exposição pode ser visitada até ao dia 5 junho das 10:00 até 18:00. Excepto às Quintas e Sábados, em que visita se faz até às 21:00.

 

Encerra às Terças.

 

Cada bilhete normal custa 5€. 

 

 

Podem seguir as minhas fotos no Instagram, no Facebook ou subscrever os post por email, no fundo da página.

 

Arquivo

  1. 2017
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2016
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2015
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2014
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2013
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2012
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2011
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D

Instagram

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.