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Quando o mal espreita

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Ia a descer por uma estreita quelha de pedras gastas, a caminho da aldeia de Piodão. Ao fundo, existem umas pequenas casas de pedra, onde é guardado algum do gado comunitário da aldeia. Já por lá tinha passado no dia anterior, mas os animais estavam trancados. Mas naquele fatídico dia a história seria outra. As portas estavam abertas. Algumas ovelhas tinham ido à sua vida. Ovelhar por aqueles socalcos fora, mas algumas ficaram. E achei que dava uma foto gira. Tirei primeiro a foto acima. Não gostei muito. Mas algo não estava bem... E não, não estou só a falar das fotos.

 

Sentia-me observado... Aquele desconforto que descrevem nos filmes de terror, antes de alguma coisa saltar para o ecrã. 

 

Hesitei... e virei-me... 

 

Oh! O horror! 

 

Uma cabra (ou uma ovelha tosquiada???) olhava para mim. Imóvel.

 

Sem expressão. Sem pestanejar. Sem se mexer. Sem respirar sequer. 

 

E assim ficou. Minutos, talvez. Pareceram horas.

 

Eu retribuía o olhar gélido. Tentava parecer forte, sem conseguir escapar ao julgo hipnótico da besta.

 

Paralisado de terror, tentei mexer-me. Não podia fraquejar! 

 

A custo, fiz a única pessoa que qualquer pessoa sã, faria na minha posição ... 

 

Click!

 

Tirei uma foto! 

 

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Nenhum animal foi magoado na realização desta foto. 

 

A qualidade da luz

Floreados artísticos e inovações técnicas à parte, o que uma máquina fotográfica faz é muito simples. Captar a luz que entra pela objectiva.

 

Como tal, é fácil cair no erro de pensar que quanto mais luz, melhor para fotografar. Já perdi à conta às vezes que me disseram "agora que estamos no Verão é que estás bem, é a melhor altura para tirar fotos." 

 

Nada mais longe da verdade. No que toca a fotografias na rua, o Verão é de longe a pior altura do ano. Há muita luz, e é muito mais forte. Mais difícil para o sensor da máquina controlar. A luz intensa aumenta muito os contrastes entre pretos e brancos, além de retirar detalhe aos objectos.

 

Sabem aqueles dias de Sol, em que têm de semicerrar os olhos para conseguir ver, em que parece haver uma certa neblina no ar, que tira definição às coisas que estão mais longe? Pois, imaginem o sensor de uma máquina, que lida com isso bem pior que os nossos olhos.

 

Como em muitas outras coisas, a qualidade da luz é bem mais importante para fotografar, do que a quantidade. É por isso que, regra geral, as melhores alturas para tirar fotos são o nascer e o pôr do Sol, e os minutos imediatamente antes e depois. E a melhor estação? Talvez o Outono, mas acreditem, o Verão é horrível! Dias maiores significam mais horas de péssima luz. É muito mais difícil tirar boas fotos de paisagem nesta altura

 

Este tema dava pano para mangas, mas também facilmente se torna aborrecido. Como este é um blog que vive de imagens, e uma imagem vale mais que mil palavras, nada como vos mostrar, com estas três fotos, tiradas no mesmo sítio a horas diferentes.

 

 09h:30m - Nem é a hora a que a qualidade da luz é pior (que será por volta do meio dia). Por enquanto o Sol ainda está para a esquerda, não muito alto no horizonte. Umas horas mais tarde e as sombras que ainda marcam os contornos dos socalcos da encosta vão desaparecer, perdendo-se a noção de anfiteatro que agora ainda apresenta.

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20h:20m (pôr do Sol, por volta das 21h). Até pode haver quem prefira a primeira foto. Mas nesta, nota-se claramente uma maior riqueza das cores, mais detalhe. E sobretudo uma maior noção de profundidade e textura.

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20h:42m - A esta hora a luz cai relativamente depressa e só em 20 minutos a diferença já é grande. Nesta última foto a luz já começa a ser pouca, e só com uma longa exposição, e uso do tripé, é possível fotografar. Também já existe menos detalhe, as cores e texturas já não são tão pronunciadas.

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Fotografar O Asiático

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Há uns meses fui jantar ao restaurante O Asiático, gostei muito da comida, mas não só. A decoração é um dos pontos altos deste espaço. Afinal, os olhos também comem. 

 

O Asiático foi inspirado pelas viagens que o chef Kiko Martins fez pela Ásia, em particular pelo Japão e Nepal. Essa influência não é sentida apenas na excelência da cozinha, mas também na decoração do espaço. As referências asiáticas fazem-se sentir de maneira sóbria e elegante, em pequenos pormenores, um pouco por todo o espaço.

 

Gostei tanto, que decidi perguntar se podia passar por lá para o fotografar. Enviei um email à direcção comercial, que com grande simpatia, acedeu prontamente ao meu pedido.

 

E então, há duas semanas, no horário em que o restaurante fecha, entre o almoço e o jantar, lá fui eu. Máquina e tripé em punho, para o Príncipe Real.

 

A sessão em si teve alguns contratempos... Perdi demasiado tempo a perceber os melhores ângulos para fotografar, ou a tentar captar algumas dessas perspectivas exactamente como queria. O facto de o restaurante ser muito luminoso, embora excelente para quem desfruta do espaço, não ajuda quando o objectivo é tirar fotos, já que os contrastes provocados pelo Sol que entrava de rompante pela enorme zona envidraçada, dificultavam bastante o trabalho. E não pude fotografar o pequeno jardim interior, que esteve sempre ocupado pelos funcionários, que descansavam, comiam qualquer coisa, ou se reuniam a planear o jantar que se aproximava.

 

Nada que tenha impedido que me tenha divertido imenso a fotografar. Ou a ver a azáfama dos bastidores de um restaurante de renome. Só por essa experiência já valeu a pena.

 

Sem mais demoras, vamos ao prato principal deste post... as fotos.

 

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Sobre a criatividade. E comprar material caro.

O workshop de que falei no post de ontem, faz parte da iniciativa "Live for the Story", que a Canon tem vindo a desenvolver.

 

Claro que está inserido numa estratégia comercial, mas este foco na fotografia como um meio de contar histórias, mais do que nas especificações técnicas do material fotográfico, é algo em que tenho pensado nos últimos tempos, e que acredito ser muito importante.

 

Não é por acaso que se diz que uma imagem vale por mil palavras.

 

Quando mostro o meu melhor trabalho fotográfico a alguém, é frequente que um dos primeiros comentários seja "Deves ter uma máquina mesmo boa".

 

Isto é obviamente muito redutor. Correlacionar a capacidade de tirar boas fotos ao dinheiro que se investe em material é enganador. E uma boa maneira de ficar com a conta bancárias mais vazia e um ego mais frustrado.

 

Claro que fotógrafos como o Joel Santos ou o Fernando Guerra, dois dos que mais admiro, têm material caríssimo. Mas se olharem bem para as fotos que ilustram este post, há uma coisa em comum a todas as fotos. Contam uma história. De maneira, clara, simples e poderosa.

 

E uma coisa é certa. Se derem, a qualquer um dos dois um telemóvel, a substituir as suas câmaras, as fotos vão à mesma ter sentimento e emoção. Mesmo que percam qualidade técnica, ou lhes limite a criatividade.

 

No fundo essas fotos iriam à mesma contar uma história. E isso, ao fim ao cabo, é que realmente conta.

 

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Lembrei-me disto quando há uns dias vi esta foto da Joana (do blog Quiosque da Joana). Não foi tirada com uma máquina topo de gama. Longe disso. E - chamou-me ela à atenção - até está desfocada. Mas eu nem reparei nesse pormenor. E porquê?

 

Porque é uma foto quase perfeita na sua composição e no momento de capta. O ar de expectativa do cão, que até se está a lamber, já davam uma foto gira, só por si. Mas a Joana incluiu a mão com o biscoito. E isso muda completamente a dinâmica da foto. 

 

Deixou de ser só uma foto engraçada. E passou a contar uma história. O cérebro é muito bom a fazer associações, e imediatamente cria-se um vai-vêm do olhar entre o biscoito e o cão. Adivinha-se o que vai acontecer, e estabelece-se quase um diálogo. O cão está com aquela cara porque quer desesperadamente a sua guloseima... E espera... pacientemente, enquanto se lambe em antecipação. E a dona Joana faz o cão Vasco esperar pela recompensa.

 

E para o nosso cérebro criar toda esta narrativa, não foram precisos milhares de euros em equipamento. 

 

Bastou... criatividade!

 

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P.S.: O facto do biscoito parecer ter uma cara sorridente, pode parece algo perturbador, dado o final que vai encontrar brevemente, deglutido pelo cão Vasco. No entanto - penso que não me engano se o afirmar - o biscoito cumpriu o seu propósito de forma digna. E é esse o motivo da expressão que ostenta. Dever cumprido! 

 

 

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Falar de fotografia

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Estava a passear pelo instagram quando, por acaso, vi um anúncio a um workshop de fotografia de viagem com o Joel Santos, organizado pela Canon.

 

O instagram encaminhava para a página do facebook, que também não explicava muitos pormenores, além da data e local. Pedia para enviar os dados de inscrição por e-mail, a quem estivesse interessado.

 

Nem pensei duas vezes. Escrevi tão rápido quantos os dedos me permitiram. 

 

Afinal não é todos os dias que se tem oportunidade de fotografar ao lado do melhor fotógrafo de viagens do mundo.

 

Tive sorte, fui um dos vinte primeiros a responder. As inscrições fecharam quase tão depressa como começaram.

 

Foi um dia inteiro em Sintra e Cascais. De manhã um passeio pela vila de Sintra, e um belo almoço na Praia das Maçãs. À tarde, uma sessão fotográfica na floresta, e uma viagem até ao Cabo Raso, com lanche pelo meio. Em convívio com pessoas divertidas, com vontade de aprender, e uma organização exemplar. Aliás há que deixar os parabéns a toda a equipa da Canon Portugal responsável por este evento.

 

Curiosamente, quase não fotografei. Em Sintra foi complicado, ou pelo número de turistas, ou pelo próprio grupo, que entupia as ruas estreitas. Na floresta o espaço era ainda mais apertado, por incrível que pareça. E no Cabo Raso, o vento era tanto que o objectivo de fotografar o pôr do Sol foi posto de parte. As ondas embatiam com estrondo nas rochas, e o ar estava tão cheio de água, sal e poeira, que as objectivas ficavam imediatamente sujas.

 

E no entanto... foi um dia espectacular. Tive a sorte de conseguir estar quase sempre perto do Joel, mesmo ao almoço. E mais do que aspectos técnicos, que ele obviamente domina, ouvi as suas histórias. As situações incríveis porque passou em viagem. A maneira criativa como "inventou" várias das suas fotos emblemáticas. Como começou a fotografar, e a fazer disso vida.

 

Cada vez mais tenho noção que o mais importante em fotografia, muito mais que os aspectos técnicos, é a capacidade de ter uma visão própria e coerente. De ser capaz de identificar numa cena aquilo que nos cativa, e todo o processo que se segue para capturar esse momento da melhor maneira.

 

Nisso o Joel Santos é extraordinário. Como fotógrafo, claro, mas também como comunicador. Sempre disponível a explicar o seu processo. Nunca como uma pessoa que se acha melhor ou superior, mas como alguém que tem tanta paixão pelo que faz, que tem de partilhar as suas experiências.

 

E isso foi mesmo inspirador.

 

A Canon vai organizar mais workshops, com alguns dos melhores fotógrafos nacionais nas suas respetivas áreas. Incluindo o Fernando Guerra, um dos melhores dos mundo na fotografia de arquitectura. Estejam atentos ao facebook da Canon, porque vale a muito a pena ter o privilégio de participar num evento destes.

 

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As melhores fotos de sempre! (Ou não...)

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Foi em 2007, numa viagem a Barcelona, que tirei as minhas primeiras fotos. 

 

O meu pai passou-me para a mão uma máquina fotográfica da HP, com uns portentosos 5 megapixels... Nem fui eu que pedi. Nunca tinha tido qualquer interesse em fotografar. Mas ele tinha comprado uma máquina de filmar, e estava entusiasmado com o seu brinquedo novo. 

 

E foi assim, de um momento para o outro, que me vi como fotógrafo oficial da família Farinha 

 

Tirei 300 fotos nessa semana. Só tenho coragem de mostrar 7. Se vissem as outras 293, iam perceber... Estas só estão apresentáveis por mero acaso... 

 

Mas são, ao mesmo tempo, das melhores fotos que tirei. Por muito más que sejam, consigo ver em muitas delas o que ainda tento captar no que fotografo hoje. Mais importante é que, desde esse dia, nunca mais larguei a máquina fotográfica. Figurativamente falando, claro. Despachei a HP de 5 MP assim que pude! 

 

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